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sábado, 17 de abril de 2021

O hábito de adiar a própria vida

Por Dilce Helena Alves Aguzzi

Por que adiamos uma conversa, atitude, encontro, reunião, faxina, decisão, consulta médica, etc? 

Porque nós, seres humanos, temos uma grande contradição: desejamos muito a novidade ao mesmo tempo em que o novo nos assusta terrivelmente.

Sofremos, todos nós, pelo hábito de desejar mudanças desde que apropriadamente anunciadas, a nosso favor, do nosso jeito e na hora que desejarmos, ou seja, impossível de concretizar!

Enquanto não sabemos se a mudança é boa mesmo, vamos levando, empurrando com a barriga, adiando, procrastinando. Como se os fatos e escolhas da vida estivessem organizados numa prateleira a nossa espera, como se tivéssemos todo o tempo do mundo e um dia voltamos àquela gôndola e escolhemos o que deixamos para trás há dez anos!

O mundo não para, a vida é mais dinâmica que nossa percepção consegue alcançar e dimensionar e, nós, além de não sermos eternos, não temos a menor ideia de quando vai expirar nosso prazo de validade.

Por isso é tão importante trazer para a pauta do dia abandonar a preguiça. Fazer agora ou não fazer mais. É isso mesmo, ou não fazer mais. Porque desistir de algo, por na lixeira,  é tão importante quanto realizar.

Quanta gente anda pesada por aí quase se arrastando porque carrega consigo toneladas e mais toneladas de projetos adiados indefinidamente, peso que não vai se descartando? Ao contrário, vai aumentando pela culpa de não ter se dado à devida atenção, pela dor do tempo ter passado e não ter realizado.

Quanto mais leves seríamos se nos dispuséssemos a fazer agora uma radical e honesta faxina interior? O que realmente eu quero fazer? O que de fato me faz crescer e proporciona alegria e plenitude? O que sei que não quero e nunca vou realmente realizar?

Responda rapidamente a essas perguntas e comece agora uma nova relação com sua própria vida. Sem adiamentos eternos, com mudanças saudáveis de planos e com concretizações pequenas e simples do dia-a-dia, mas grandiosas em valor pessoal.

Lembro de uma história que se repete em muitos filmes: o herói vai em busca de um tesouro inestimável e nesta busca enfrenta muitos perigos e sua vida é constantemente ameaçada e sua coragem várias vezes testada. Pois bem, o tesouro é encontrado e os perigos vencidos. Ocorre que na trajetória de volta para casa, com as glórias da vitória nas mãos, sempre acontece algum imprevisto com o transporte - avião, barco, balão, seja lá o que for -, e o herói precisa escolher entre o tesouro e a própria vida. Cada um faz seu entendimento desses simbolismos.

Eu gosto de pensar que nossa riqueza maior é a existência, a interação com os outros e o que aprendemos com elas. Quase todo o resto é peso desnecessário.

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